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19/03/2009
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Gazeta Mercantil, 19/03/2009  Aumentar o tamanho do textoDiminuir o tamanho do texto
 Brasileiro paga preço de Primeiro Mundo por combustível, revela estudo
Gasolina nacional está entre as 11 mais caras: defasagem no reajuste e impostos

A gasolina vendida nos postos brasileiros está entre as mais caras do mundo, em valor próximo ao de economias ricas da União Europeia, revela estudo da consultoria americana Associates for International Research (Airinc), obtido pelo GLOBO. O preço do combustível no país é o 11º mais alto de uma lista de 35 países de quatro continentes, ficando à frente de vizinhos latinoamericanos e de emergentes como Índia, China e Rússia.


O estudo, realizado em janeiro, usa preços em dólar e volume em galão. No Brasil, o custo apurado do galão de gasolina ficou em US$ 4,17, um pouco abaixo do cobrado no Reino Unido (US$ 4,85) e acima de Japão (US$ 4,09), Argentina (US$ 3,14) e China (US$ 3,01), por exemplo.


Para analistas, a gasolina vendida nos postos brasileiros está atualmente entre as mais caras do mundo por dois fatores: preço relativamente mais caro do produto nas refinarias da Petrobras e uma pesada carga tributária sobre o combustível.


Como mostrou ontem reportagem do GLOBO, a gasolina vendida pelas refinarias da estatal às distribuidoras está de 22% a 33% mais cara que nos EUA. Se não fosse a desvalorização cambial, a defasagem seria ainda maior. Essa diferença surgiu pois a Petrobras não repassa ao mercado interno, no curto prazo, oscilações do preço internacional do barril de petróleo, que caiu de US$ 145,29 (no pico, em 3 de julho de 2008) para US$ 48,14 ontem.


Além do custo na refinaria, o combustível convive com uma elevada tributação. Cálculo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) mostra que o morador do Rio paga R$ 1,13 em impostos (federais e estaduais) por litro de gasolina que consome. Ou seja, 45% do preço do combustível na bomba (R$ 2,53) são exclusivamente de impostos.


- Pagamos na gasolina uma carga tributária de país europeu, sendo que não temos a renda per capita dos europeus. E temos que pagar também a Cide, o que lá fora não existe. Tudo isso pesa bastante no preço final, ao lado da defasagem no preço da refinaria - afirmou Gilberto Pereira de Souza, analista do Banco Espírito Santo (BES)

Relembre a polêmica

Com o agravamento da crise global, em setembro do ano passado, a oferta de crédito no exterior secou. A Petrobras, então, contraiu empréstimo de R$ 2 bilhões junto à Caixa Econômica.


Foi o primeiro financiamento com bancos brasileiros desde os anos 1990, quando este tipo de operação foi proibido. A proibição foi suspensa pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 30 de outubro, dia da concessão do crédito. A informação foi revelada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). A empresa alegou que o dinheiro era para pagar impostos. A estatal recorreu ainda ao Banco do Brasil. E o CMN elevou sua capacidade de endividamento junto ao BNDES para até R$ 12 bilhões.

Bruno Villas Bôas

   

 
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